quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Fim de época


Não me revejo em dias cinzentos
A pele do tempo húmido não me assenta
Sou sol, tempo seco, brisa ligeira
Vivo de horas de luz, de noites curtas
De ocasos que se perdem no horizonte

Nunca nasceu em mim o Natal
Não visto esse fato nem em festas

Estes dias que se esgotam em cores cinzentas
Se comprimem num torpor de fim de época
Alguma coisa nova trazem

O Sol de um novo ano, os dias longos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A prenda


Na rua o clamor do corrupio
O sobressalto dos dias frios
Que lembram o aproximar do desvario

Ao longe o crepúsculo reclama dele
O limite do horizonte recortado
Simulando na envolvente de um abraço
A curva de um rosto imaginado

Não será pela pressa do momento
Que se perde o fio do pensamento
Envolto em cores quentes
Rematado pelo mais suave cordel
Transportando a prenda mais desejada


Boas festas

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Em lume brando



Em lume brando
Qual fogo que perdura
Sem fim à vista, lento,
Sem vontade de se esgotar
De recusar o fim anunciado
Sobrevivendo à certeza do destino
à cinza onde tudo acaba

Reencontra-se
Eleva-se ondulante em
chamas coloridas
Esmorece, renasce,
retoma o vigor

Alimenta-se da certeza
da sua utilidade
Da necessidade de viver
mantendo a lembrança

Une, vence a distância 
o tempo, a ausência
É vida!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Difuso


És o sonho,
apenas parte dele
ou é ele que só existe por ti?

Não sei se me inquiete
Porque nele entras sem pedir
O usas, distorces, usufruis
dispões, manipulas

Não sei se me inquiete
porque dele tomaste conta
se me convença que é a ti
que ele deve a existência

Tu, o sonho, uma extensão de nós

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Subimos?


À sombra da figueira também havia vida
Desfiavam-se momentos que foram tempo
Bebia-se em pequenos goles,
na soleira da juventude
vinho novo, ainda com travo a rosmaninho
Faltava porventura subir alguns degraus
O sol nem se havia ainda escondido
Ao largo o som dos grilos e estorninhos
Marcava o horizonte e os destinos
Valeria a pena esgotar as forças,
fazer um intervalo, suspender o paraíso?
Não, seguimos a conversa
que importa quão íngreme é a escada
se de mãos dadas a havemos de percorrer?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Huummm!


Huummm!
Leve, leve
Penas que esvoaçam sem pena do que foi
Pena do que teria sido
E não foi
Livres, ondulam a visão
Aceleram o ritmo da rotina
Insinuam a vertigem
Elevam às nuvens a sensação
De que não teria sido o que

Afinal foi!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Intemporal


Felizmente não somos senhores do tempo. Os dias esgotam-se na ilusão da intemporalidade, correm que nem loucos, perdidos nesse desfiladeiro enganador. Vivemos o que podemos, e um dia, morreremos como os demais.
O que se assemelha a uma sina é talvez o mote da existência: produzir, criar, amar e viver, pois certa, certa, só temos a vida.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

De volta





Se os olhos contassem a tua história
Não traíssem como o fazem sem querer
Lembrassem tempos em que foste liberdade
Soubessem de que cor é a vontade

Interpretassem o murmúrio do desejo,
o que dizem lábios finos a tremer
Decifrassem o rubor do amor ardente
Mostrassem como é a dor da ausência
reflexo e espelho da saudade
Mentissem num não que era sim

Tudo isso é o poder da Esperança
Soberania em duas esferas compactada
O supremo sentido do sentir
a mais pura face da verdade

Ecrã onde a alma é projetada

quarta-feira, 15 de março de 2017

Nasces


És fluido, sequência dos momentos
Som da água que anuncia
o fim do estio
Silêncio de todos os momentos
em que a palavra era excesso

Início de todo o infinito
Destino para onde tende o horizonte
És linha do tempo
Calor de um suspiro

Curva do sorriso
Cofre onde repousam as lembranças


Fazes-me nascer a Primavera

domingo, 12 de fevereiro de 2017

No som do vento



Do vento que o frio trazia
nada esperava
Apenas um clima que era o meu
no meio da geada onde crescemos

Era um gesto, o gozo, a harmonia
ou
A ternura, a lembrança, a anarquia

No meio das mãos em concha
a ilusão
no som do sorriso
a emoção
Por trás dos silvos das serras
a lembrança
Toda a que o infinito não apaga
Perene, persiste inabalável
Sabe-se, não se prescreve,

Intimidade não é palavra vã